Musicoterapia Corporal: Sons e Movimentos Ampliando a Vida
Gisele Furusava*
Durante a gravidez, a criança vivencia parte das atividades maternas; uma gravidez saudável em ações e sentimentos gera um indivíduo com maior vitalidade, espontaneidade e sem tensões musculares.
A partir do 5º mês de gestação, o aparelho auditivo está formado e, assim, o bebê pode ouvir sons externos. Baranow (1999), citando reportagem da Folha de São Paulo, de 10 de novembro de 1996, Caderno Mais, apresenta: “Na 23ª terceira semana de gestação o feto se habitua aos sons e reage quando o som é repetido; na 28ª, o número de batimentos cardíacos se altera quando o feto ouve sons; e na 34ª, o feto pode ser condicionado a reagir a sons familiares.”
Deste modo, os sons são percebidos ainda durante a vida intra-uterina. Ao considerarmos as vibrações (batimentos cardíacos, respiração, fluxo do líquido amniótico, fluxo sanguineo, etc...) observamos o início da composição de nossa Identidade Sonora que influenciará não somente nosso gosto musical como, também, nossos ritmos biológicos, formas de comunicação e expressão, além de outros elementos do desenvolvimento humano.
A Musicoterapia encontra na sonoridade sua ferramenta de trabalho, numa proposta de incentivar a ouvir, recriar, compor e improvisar músicas, canções e sons, buscando o desenvolvimento de potenciais ou o reestabelecimento de funções físicas, sociais, cognitivas e neurológicas.
A Musicoterapia Corporal desenvolve os potenciais humanos, incentivando a expressão, a espontaneidade, a organização e a criatividade do indivíduo, ampliando sua motivação, alegria e proporcionando uma melhor qualidade de vida. Realizada individualmente ou em grupo, a Musicoterapia tem como diferencial o lúdico, pois trabalha com instrumentos musicais, música, dança e movimento. Por não privilegiar a estética musical, ruídos e barulhos também podem fazer parte da sonoridade criada e, assim, não é necessário que o participante tenha conhecimentos musicais.
O trabalho baseia-se na idéia de que ainda na infância compomos nosso modo de ser e estar no mundo. Os sons influenciam a dinâmica do indivíduo e o mesmo acontece com as experiências e vivências que desfruta. Esses acontecimentos (sonoros e corporais) ficam registrados em sua postura, gerando um corpo com maior ou menor fluidez de energia.
Em conjunto com a Musicoterapia, a Psicoterapia Corporal Neo-Reichiana, entendendo que a história de vida é apresentada na expressão corporal do indivíduo, observa o fluxo energético e trabalha a partir da percepção, conscientização, verbalização e exercícios corporais, movimentando esta energia que passa a ser utilizada em prol do crescimento da própria pessoa.
Os benefícios deste trabalho são muitos e aqui podemos citar: auto-conhecimento; melhora da comunicação; integração grupal; percepção do outro, de si mesmo e sensorial; socialização; coordenação rítmica e motora; orientação espaço-temporal; memória, atenção e concentração; percepção sonora, corporal e ambiental; sensibilização; motivação; criatividade; organização; alívio de stress; entre outros.
As principais áreas atendidas são: gestante; primeira infância; adolescentes; dificuldades de aprendizagem e conduta; transtornos emocionais; stress; terceira idade; deficiência mental, sensorial, física e múltipla; saúde mental; quadros neurológicos; pacientes em coma, entre outros.
Cabe salientar que as duas modalidades terapêuticas requerem formação específica; há cursos superiores em Musicoterapia (graduação e pós-graduação) oferecidos em faculdades e universidades nas grandes capitais brasileiras; já a Psicoterapia Corporal Neo-Reichiana trata-se de formação específica, reconhecida e organizada internacionalmente, oferecida somente em Institutos Neo-Reichianos.
* Gisele Furusava, Musicoterapeuta, Psicoterapeuta Corporal, Formanda em Análise Bioenergética. Docente da Faculdade Paulista de Artes. Autora do Livro “Setting Musicoterápico: da caixa de música ao instrumento musical”, Ed. Apontamentos (2003). Presidente da Associação de Profissionais e Estudantes de Musicoterapia do Estado de São Paulo durante a gestão 2004/2006. www.musicoterapiasp.com.br