Musicoterapeuta: Quem é este Profissional?
Gisele Célia Furusava*
“O que faz um Musicoterapeuta?”, “Pra que serve a Musicoterapia?”, “É uma especialização?”, “Como trabalha um Musicoterapeuta?”... A frequencia recorrente destas e outras perguntas neste mesmo contexto de curiosidade, a respeito de nossa atuação, mostraram-nos a importância de escrever sobre o assunto.
Segundo a Federação Mundial de Musicoterapia (1996), o Musicoterapeuta é um profissional especificamente qualificado, tendo, no Brasil, sua formação oficialmente reconhecida pelo Conselho Federal de Educação em 1978 através do parecer 829/78 como curso de graduação ou pós-graduação.
Além das matérias específicas da área como Musicoterapia Aplicada e Teoria e Técnicas da Musicoterapia, em sua formação, o Musicoterapeuta estuda: Anatomia, Neuroanatomia, Neurologia, Psiquiatria, Psicologia, Psicopatologia, Filosofia, Sociologia, Expressão Corporal, História da Arte, História da Música, Percepção Musical, entre outras.
Entre diversas formas de intervenção, ouvir e cantar músicas são apenas duas das várias técnicas utilizadas pelo Musicoterapeuta que poderá trabalhar com técnicas ativas ou receptivas em Musicoterapia.
As técnicas ativas são aquelas em que tanto o profissional quanto o cliente tocam instrumentos musicais, improvisando, recriando ou compondo canções; já as técnicas receptivas baseiam-se na audição musical. Embora haja esta separação, dificilmente um processo se desenvolve somente com técnicas ativas ou receptivas.
Objetivando desenvolver potenciais ou restabelecer funções do indivíduo, a Musicoterapia pode ser aplicada como Prevenção, Reabilitação e Tratamento melhorando fatores como: comunicação verbal e não verbal; memória, atenção e concentração; organização; sociabilização; coordenação rítmica e motora; orientação espaço-temporal; criatividade; respiração; relaxamento; motivação; alívio do stress e da dor; auto-conhecimento; entre outros.
Atualmente, muitos estudos e pesquisas têm sido realizados. Estudos afirmam que o hemisfério cerebral esquerdo está envolvido no julgamento para atividades musicais como: duração, ordem temporal, sequenciação e ritmo; e que o hemisfério direito relaciona-se com a memória tonal, timbre, reconhecimento melódico e intensidade.
É importante salientar que o Musicoterapeuta não utiliza apenas a música, mas também sons, ruídos e os movimentos. Música, sons, ruídos e movimentos se complementam e guiam o processo terapêutico a partir não só das questões trazidas pelo cliente como, também, por informações adquiridas pelo diagnóstico, testes e entrevistas que compõem um estudo sonoro-biográfico do indivíduo.
O Musicoterapeuta pode atuar desde a gestação até a terceira idade, sendo cada vez mais comum encontrar este profissional compondo o quadro clínico de instituições, clínicas, consultório particular, empresas, comunidades, escolas e pesquisas.
Atualmente, o mercado de trabalho vem se ampliando. A receptividade ao Musicoterapeuta cresce a cada ano a partir não só da divulgação dos benefícios da intervenção como, também, das pesquisas que cada vez mais comprovam a eficácia do trabalho realizado por este profissional.
Bibliografia:
BARANOW, A. L. von. Musicoterapia, uma visão geral. Enelivros, Rio de Janeiro, 1999.
FURUSAVA, G. C. Setting Musicoterápico: da caixa de música ao instrumento musical. Apontamentos, São Paulo, 2003.
_________, G. C. A Música e o Desenvolvimento Humano. Apostila não publicada, São Paulo, 2004.
* Gisele Célia Furusava, Musicoterapeuta, Psicoterapeuta Corporal Neo-Reichiana, Extensão em Psicossomática e Psicooncologia. Autora do Livro “Setting Musicoterápico: da caixa de música ao instrumento musical” (Apontamentos, 2003).