Música, Ritmo e Qualidade de Vida.

Daniella Torre Ambires e
Gisele Célia Furusava

Refletindo sobre qualidade de vida, percebemos que as queixas mais freqüentes são a falta de tempo e a correria em que se vive, fatores que, conseqüentemente, levam ao estresse.

Inicialmente a palavra estresse era utilizada para mostrar, fisicamente, o grau de deformidade sofrido por um material submetido a um esforço ou tensão. Posteriormente, o médico Hans Selye levou o termo para a Medicina e para a Biologia, dando um novo sentido para palavra que passou a significar, também, a dificuldade de adaptação de um determinado organismo em uma situação que ameaçasse sua vida e/ou seu equilíbrio.

   Musicalmente, o elemento relacionado ao tempo é o ritmo e por isso, a percepção e reflexão acerca do mesmo em nossas vidas torna-se cada vez mais importante.

Segundo Platão, “ritmo é a ordem no movimento”.A palavra ritmo (em grego rhythmos) demonstra aquilo que flui, aquilo que se move.

Entre vários materiais pesquisados, há uma aceitação geral de que o ritmo está presente e influencia a vida humana desde o ato de sua concepção.

Na gestação, a vivência musical é importante, pois além de trabalhar o relaxamento, diminuindo a ansiedade e assim o estresse, prepara a gestante para um parto mais tranqüilo.

Um dos primeiros sentidos que se desenvolve é a audição, já no terceiro mês de gestação o bebê pode ouvir sons externos, os quais junto aos sons intrauterinos começam a formar a identidade sonora do indivíduo. A audição é exercitada ao longo dos nove meses, pois o feto fica em contato com os ruídos das paredes intestinais, da respiração e da voz da mãe, do líquido amniótico e dos batimentos cardíacos. Começa a ser formada a identidade sonora do indivíduo, que influenciará não apenas o gosto musical deste, mas, também, seus ritmos biológicos e desenvolvimento global.

O ritmo faz com que as estruturas neurológicas amadureçam de forma adequada, possibilitando o desenvolvimento cognitivo, sensório e psico-motor de melhor qualidade ajudando, assim, a assimilação de conceitos e a aprendizagem como um todo, preparando o desenvolvimento da criança e garantindo a formação de um adulto mais saudável.

A vivência musical nos desperta interiormente e faz com que as estruturas psíquicas sejam harmonizadas. Entramos em contato com nosso próprio ritmo interior, com nossas emoções e impulsos. Lidamos com as pausas, limites e percebemos o tempo.

Quando a vivência musical é feita em grupo a interação grupal nos traz a noção do respeito e a conscientização de que apesar de sermos diferentes, cada um com suas características, podemos somar e juntos construir algo “novo”.

O processo de escuta é um dos fatores primordiais de enriquecimento psíquico, pois através desta vivência internalizamos o processo criativo e aprendemos a lidar conosco e com o outro de forma mais saudável. A escuta nos leva ao autoconhecimento, a discernir nossas ações e a interação destas com o social.

 Pensamos numa certa velocidade, o batimento cardíaco pode estar acelerado, nossa respiração rápida... Enfim, nossos órgãos trabalham num determinado ritmo neste ou naquele momento, de acordo com sua necessidade.

Deste modo, precisamos ficar atentos, pois embora algumas vezes seja necessário “corrermos contra o tempo” ou “acompanhar o ritmo do outro”, não podemos fazer disto um hábito e alterar nosso ritmo biológico (ou orgânico) constantemente.

 De fato, precisamos realizar muitas coisas, mas é importante que saibamos interagir com as mesmas e suas urgências.  O mundo tem sua competitividade, mas é necessário haver um equilíbrio entre seu caminhar e nossas ações (atitudes).

Cada pessoa possui e necessita de um ritmo individual, não havendo um ritmo ideal ou possível para todos é importante que cada um tome consciência de seu próprio ritmo para que possa, então, compartilhá-lo e complementá-lo junto a outros.

A identificação/ percepção deste ritmo, também mostrará que não se pode compartilhar ou complementar nosso ritmo com qualquer outro. Para que isso realmente aconteça de maneira satisfatória e enriquecedora é preciso que haja uma harmonia entre as partes pois, caso contrário, poderá causar danos a qualidade de vida do indivíduo. Como na dança precisamos encontrar nossos pares.

Portanto, é preciso descobrir e cuidar dos ritmos que nos rodeiam: os nossos, os outros, os que interagimos e os que assumimos... A música é um recurso de resgate do núcleo sadio e da criatividade das pessoas, melhora a auto-estima, fortalece a afetividade e estimula o aspecto cognitivo da pessoa, elementos fundamentais para se viver no mundo moderno e enfrentar o estresse cotidiano.

Daniella Torre Ambires: Psicóloga Especialista em Psicologia Clínica e Psicopedagogia - CRP 06/24709-6 - Consultório: Rua Ibiapava, 164 – Santo André Fone: (11) 4426-8562

Gisele Célia Furusava: Analista Corporal, Formanda em Bioenergética e Musicoterapeuta Clínica - APEMESP 154 - Consultório 1: Rua Luis da Silva Correia, 114 – Jd. Santa Cruz (SP) Fone: 6334-6194 / Consultório 2: Rua Madalena, 36B Fone: (11) 3034-5305